Beatriz Santiago Muñoz Oriana

28 Ago 06 Nov 2021 Pivô Arte e Pesquisa Exposição individual
Beatriz Santiago Munõz, <i>Oriana</i>, still de filme, 2021. Crédito: Bleue Liverpool
Beatriz Santiago Munõz, Oriana, still de filme, 2021. Crédito: Bleue Liverpool
Beatriz Santiago Muñoz, <i>Oriana</i>, still de filme, 2021. Crédito: Bleue Liverpool
Beatriz Santiago Muñoz, Oriana, still de filme, 2021. Crédito: Bleue Liverpool
Beatriz Santiago Muñoz, <i>Oriana</i>, still de filme, 2021. Crédito: Bleue Liverpool
Beatriz Santiago Muñoz, Oriana, still de filme, 2021. Crédito: Bleue Liverpool
Beatriz Santiago Muñoz, <i>Oriana</i>, still de filme, 2021. Crédito: Bleue Liverpool
Beatriz Santiago Muñoz, Oriana, still de filme, 2021. Crédito: Bleue Liverpool
Beatriz Santiago Muñoz, <i>Oriana</i>, still de filme, 2021. Crédito: Bleue Liverpool
Beatriz Santiago Muñoz, Oriana, still de filme, 2021. Crédito: Bleue Liverpool

Em sua primeira exposição no Brasil, Beatriz Santiago Muñoz (1972, San Juan, Porto Rico) ocupa todo o espaço expositivo principal do Pivô com uma única instalação audiovisual que nomeia a exposição: Oriana. O filme em capítulos é baseado em temas do livro As Guerrilheiras, da escritora feminista francesa Monique Wittig (1969), em que uma tribo só de mulheres articula um ataque à linguagem e a corpos masculinos. Dentre as armas mais poderosas usadas em sua investida contra os costumes literários e linguísticos do patriarcado estão o riso e o afeto. Ao longo de vários anos, Muñoz visitou o livro e trabalhou na articulação de uma espécie de tradução visual do ambiente extremamente livre e pungente criado pela autora francesa. O filme em processo (que talvez ainda siga se desdobrando por muito tempo) é distribuído por telas de diferentes formatos espalhadas pelo espaço do Pivô. A arquitetura fragmentada do espaço e a trilha sonora original composta pela banda brasileira Rakta funcionam como espécies de fios narrativos ou guias de montagem para uma profusão de tomadas em que corpos femininos habitam e se movem por cenários impregnados da umidade tropical caribenha em direção a uma nova sintaxe. Esta exposição reitera que mudanças estruturais importantes emergem sobretudo de revoluções formais e experiências comunitárias radicais, tais como a proposta por Wittig e retomada por Santiago Muñoz.

O trabalho da artista porto-riquenha Beatriz Santiago Muñoz é resultado de um envolvimento obstinado com os participantes, e muitas vezes coautores, de suas narrativas fragmentadas. Seus filmes e instalações audiovisuais investigam profundamente o limiar entre o documental e a ficção e são apresentados tanto salas de cinema tradicionais quanto assumem formas espaciais mais experimentais em espaços voltados às artes visuais. O ritmo particular da montagem e a densidade de suas imagens – quase sempre captadas na sua Porto Rico natal ou em outros lugares no Caribe – são um convite à desautomatização de uma maneira de ver e estar no mundo. A câmera de Santiago Muñoz habita e se faz presente na realidade mais imediata de seus sujeitos e uma vez estabelecido um vínculo importante entre quem está na frente e atrás da câmera, ela os incita a expandir camadas de sentido e a abrir diferentes canais de comunicação com ela e com seu ambiente mais familiar. A recusa do tempo linear, os encontros fortuitos, o senso de comunidade e a alternância deliberada de perspectivas permeiam toda a sua obra. Seus filmes revelam a mentalidade colonial sempre presente no Caribe e, ao mesmo tempo, celebram as possibilidades de habitar o presente de acordo com outra lógica e de uma “subjetividade compartilhada” que leva em conta tanto as confluências quanto os conflitos.

Na abertura da exposição, sábado, 28 de agosto, das 13h às 19h, a banda Rakta apresentará, em momentos distintos durante a tarde, música improvisada ao vivo baseada na trilha sonora do filme.

A exposição é uma coprodução do Pivô Arte e Pesquisa com a Fundação Bienal de São Paulo. 

Curadoria: Fernanda Brenner

Saiba mais sobre a artista aqui.



Serviço Beatriz Santiago Muñoz: Oriana
período: 28/08 – 06/11/2021
horário de funcionamento: quarta a sábado, das 13h às 19h
entrada: franca

  1. Caroline A. Jones, Eyesight Alone: Clement Greenberg’s Modernism and the Bureaucratization of the Senses (Chicago: University of Chicago Press, 2005).
  2. Greenberg’s Modernism and the Bureaucratization of the Senses (Chicago: University of Chicago Press, 2005).
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