Ximena Garrido-Lecca

Ximena Garrido-Lecca, <i>Insurgencias Botánicas: Phaseolus Lunatus</i>, 2017 / 2020. Foto: Levi Fanan, Fundação Bienal de São Paulo
Ximena Garrido-Lecca, Insurgencias Botánicas: Phaseolus Lunatus, 2017 / 2020. Foto: Levi Fanan, Fundação Bienal de São Paulo
 Ximena Garrido-Lecca, <i>Lotes divergentes</i>, 2012. Foto: Levi Fanan, Fundação Bienal de São Paulo
Ximena Garrido-Lecca, Lotes divergentes, 2012. Foto: Levi Fanan, Fundação Bienal de São Paulo
 Ximena Garrido-Lecca, <i>Campos de polaridade III</i>, 2020. Foto: Levi Fanan, Fundação Bienal de São Paulo
Ximena Garrido-Lecca, Campos de polaridade III, 2020. Foto: Levi Fanan, Fundação Bienal de São Paulo
Ximena Garrido-Leca, <i>Paredes de Progreso: Proyecto País</i>, 2019. Foto: Levi Fanan, Fundação Bienal de São Paulo
Ximena Garrido-Leca, Paredes de Progreso: Proyecto País, 2019. Foto: Levi Fanan, Fundação Bienal de São Paulo
Ximena Garrido-Lecca, <i>Ligas com memória de forma: Realinhamentos IV</i>, 2020. Foto: Levi Fanan, Fundação Bienal de São Paulo
Ximena Garrido-Lecca, Ligas com memória de forma: Realinhamentos IV, 2020. Foto: Levi Fanan, Fundação Bienal de São Paulo

O complexo imaginário peruano, caracterizado pelo choque entre a milenar cultura andina e as violências, idiossincrasias e contradições introduzidas e alimentadas pelos processos de colonização, constitui com frequência o ponto de partida do trabalho de Ximena Garrido-Lecca (1980, Lima, Peru). A variedade de técnicas e recursos utilizados pela artista, que incluem vídeos, instalações e esculturas, de certa forma reflete a impossibilidade de traduzir essa complexidade, de pasteurizar as fricções da realidade latino-americana numa obra pacificada ou linear. Nos últimos anos, Garrido-Lecca produziu também uma série de instalações caracterizadas pelo uso de processos de construção ou crescimento que podem ser acompanhados pelo público, resgatando técnicas e materiais empregados no artesanato, na arte e na arquitetura ao longo da história peruana.

Um de seus trabalhos mais emblemáticos, Insurgencias botánicas: Phaseolus Lunatus [Insurgências botânicas: Phaseolus Lunatus] (2017) é uma instalação com estrutura hidropônica em que são plantadas mudas de favas da espécie Phaseolus lunatus, numa reativação simbólica do suposto sistema de comunicação da cultura Moche, uma civilização peruana pré-incaica que desenvolveu complexos sistemas hidráulicos de irrigação e que, segundo teorias, valia-se das manchas presentes nessas favas como signos para uma escrita ideogramática. Através de obras como essa, Garrido-Lecca, ao abordar processos ou momentos específicos da história peruana dos últimos quinhentos anos, pinta um retrato único e poético das grandes transformações, das mudanças geográficas e sociais, das migrações internas e dos êxodos internacionais, assim como da perpetuação da dependência econômica dos países latino-americanos em relação a seus antigos colonizadores.

  1. Caroline A. Jones, Eyesight Alone: Clement Greenberg’s Modernism and the Bureaucratization of the Senses (Chicago: University of Chicago Press, 2005).
  2. Greenberg’s Modernism and the Bureaucratization of the Senses (Chicago: University of Chicago Press, 2005).
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